Deputado estadual Carlos Dunga é condenado por receber propina

A Justiça da Paraíba condenou o deputado Carlos Dunga por receber propina no esquema da Máfia das Ambulâncias. A sentença foi publicada no diário da Justiça desta sexta-feira (12). Ele foi punido com a perda do cargo público; proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de dez anos; suspensão dos direitos políticos por oito anos e multa civil no valor de R$ 8 mil. Também foram condenados na ação Vera Lúcia Pinto, Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Darci José Vedoin.

Conforme a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Carlos Dunga exerceu mandato de deputado federal nas legislaturas 1999-2003 e 2003-2007, sendo um dos inúmeros parlamentares que participava do esquema fraudulento, na medida em que apresentava emendas orçamentárias que destinavam vultosos recursos a municípios em troca do pagamento de propina.

Ele agia juntamente com sua assessora Vera Lúcia Pinto, de modo estável e permanente com o grupo desarticulado no curso da chamada Operação Sanguessuga. Por outro lado, Darci José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin aparecem no esquema como líderes do núcleo empresarial da organização.

A defesa de Carlos Dunga afirmou que ele não teve qualquer participação no suposto esquema criminoso desvendado pela denominada Operação Sanguessuga. E que nenhum dos processos licitatórios das emendas parlamentares de sua autoria fora vencido pela Planan, empresa do Grupo Vedoin, fato este que prova que ele não participou do esquema criminoso.

Os autos evidenciam que o citado deputado federal se reuniu com empresários do grupo Vedoin, os co-réus Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Darci José Vedeoin, mais de uma vez, e, nesse ínterim, houve uma transferência de valores de uma das empresas do mencionado grupo econômico para a conta bancária de sua assessoria, a ré Vera Lúcia Pinto, não tendo sido por esta, verossimilmente, explicado nem o motivo daquele acréscimo monetário em sua conta bancária nem a destinação dada àquele numerário, destaca na sentença o juiz Rafael Chalegre, juiz substituto da 4ª Vara Federal.

Em nota enviada à redação do Jornal da Paraíba, Carlos Dunga, que atualmente é deputado estadual, classificou de equivocada a decisão da Justiça e informou que vai entrar com recurso no Tribunal Regional Federal, da 5ª Região, com sede em Recife. O deputado Carlos Dunga tem uma história na Paraíba, já fora prefeito, deputado estadual, presidente da Assembleia, governador do Estado interino, deputado federal e secretário de estado, tendo tido todas as suas prestações de contas aprovadas, razão pela qual não mancharia sua história por nada, muito menos por oito mil reais apontados no processo, destaca a nota.

Leia abaixo o inteiro teor da nota:

NOTA À IMPRENSA

Acerca da ação que tramita na Justiça Federal contra Carlos Dunga, tem-se a esclarecer que, embora respeite a decisão do Juiz de Primeiro Grau, com ela não concorda. Acha a decisão equivocada, errônea e informa que irá recorrer da mesma para o Tribunal Regional Federal.

A decisão em comento não observou diversos aspectos importantes, como o fato de que o Deputado Carlos Dunga não era ordenador de despesa, nem jamais indicara aos municípios de sua base de atuação política a contratação das empresas do mencionado esquema ilícito.

E mais, ficou comprovado no processo que nenhuma das suas emendas destinadas a aquisição de ambulâncias fora vencida por qualquer das empresas do Grupo Vedoin, demonstrando que não houve participação do Deputado Carlos Dunga na liberação dos mencionados recursos.

O deputado Carlos Dunga tem uma história na Paraíba, já fora prefeito, deputado estadual, Presidente da Assembleia, Governador do Estado interino, deputado federal e secretário de estado, tendo tido todas as suas prestações de contas aprovadas, razão pela qual não mancharia sua história por nada, muito menos por oito mil reais apontados no processo.

Por fim, Carlos Dunga reitera sua confiança na Justiça e tem a absoluta convicção de que a sentença do Juiz será reformada quando da sua apreciação pelas Instâncias Superiores.

Carlos Marques Dunga
Deputado Estadual

Fonte: JP
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