Gilmar Mendes comenta sobre possibilidade de novas eleições presidenciais

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, concedeu entrevista durante evento na Esma, em João Pessoa. Ele disse ser contra a eleição unificada e comentou o julgamento das contas da chapa Dilma e Temer - exercício de 2014. “O Tribunal tem grande responsabilidade institucional porque certamente é uma decisão que, se levada ao extremo, traria graves consequências. Por isso tem que ser bem ponderada”, disse ele, lembrando que o processo tem muitas peculiaridades. 
“Primeiro é saber se esse processo vai prosseguir em relação ao presidente Temer agora; uma vez que ele foi movido contra a chapa. Depois saber se o Tribunal entende - se responder que o processo prossegue em relação a ele (Michel Temer) - se a ação é procedente”, explicou Gilmar Mendes, lembrando que se for julgada no ano que vem e se houver a possibilidade de cassação, teria que haver eleição indireta. “Não seria mais uma eleição direta, como ocorreria se a decisão fosse tomada este ano”, disse Gilmar Mendes 
No entanto, o ministro vê uma precipitação muito grande em torno do julgamento desse processo e diz que antes de qualquer coisa, é preciso levar em conta que esse processo é histórico - é a primeira vez que se faz uma impugnação a candidatura presidencial. “Portanto ninguém precisa ficar frustrado se o Tribunal não condenar”.
O tribunal fará um levantamento muito rigoroso do que aconteceu na campanha de 2014, disse o presidente do TSE. Para ele, só isso já algo extremamente positivo. “Pois nós saberemos como foi feita a campanha de 2014. Se houve abuso, que abusos foram praticados, inclusive para orientar as próximas eleições, as próximas campanhas”. O ministro também foi questionado sobre os possíveis pedidos de impeachment de Temer pela oposição no Congresso.

O ministro disse ser contrário à realização de eleições unificadas porque, na sua opinião, as lógicas das eleições são diferentes. 

“Nós votamos para prefeito e vereador com uma lógica, e votamos para a eleição nacional com outra lógica. Então a mim me parece que esses fundamentos devem ser levados em conta”, argumentou. Mendes também avaliou o argumento da maioria dos que defendem a unificação, que é a redução dos custos das eleições. “Nós temos que conviver com os custos da democracia”, disse. 
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