Em primeira homilia como Arcebispo, Dom Delson cita desafios em tempo de crises


O novo Arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Delson celebrou neste sábado (20) sua primeira missa em João Pessoa após tomar posse no cargo. Na homilia ele lembrou que assume a Arquidiocese em tempo de muitas crises: ética e moral, política, hídrica e econômica.
“O relativismo cultural parece levar a humanidade para um tempo de trevas. Faltam referências humanas que possam servir de orientação para as gerações presentes e para as futuras, as gerações mais jovens”, avaliou Dom Delson.
O arcebispo ressaltou ainda que diante desse quadro, o seu papel orientar os religiosos e exercer sua função como ministro de Cristo. “O remédio para este mundo de crises é a alegria do Cristo ressuscitado, a sua misericórdia, a fraternidade, a caridade. Da nossa parte, o Cristo nos envia como suas testemunhas para anunciar, com coragem, sua presença no meio do mundo”, afirmou.
Confira a homilia completa de Dom Delson na celebração deste sábado, que aconteceu no Ginásio Almeidão, em João Pessoa:
Homilia de apresentação ao Povo no Ronaldão
Arquidiocese da Paraíba
20 de maio de 2017
Saudação:
Eis-me aqui! Sou o vosso Arcebispo. A minha primeira missão é anunciar o Evangelho. Venho em nome de Jesus anunciar a Boa Notícia que ele trouxe para nós. Inicio o meu ministério anunciando Jesus Cristo como fez Filipe, recordado nos Atos dos Apóstolos (At 8, 5-8.14-17). Ele, Filipe, “desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo” (At 8, 5). Aqueles que escutavam a Palavra de Deus e acreditavam recebiam também muitos milagres. É sempre assim, meus irmãos, quando acolhemos o ensinamento do Senhor, seu Espírito unge-nos e Ele realiza maravilhas em nossas vidas. E são muitos os males que nos atingem neste tempo de trevas, de incertezas, de muita insegurança. Aqui está um caminho bonito e seguro para todos nós: escutar a Palavra de Deus e deixar que ela seja a luz que nos guia e nos enche de paz e alegria. “Era grande a alegria naquela cidade” (At 8, 8) por causa do anúncio do Evangelho! Que neste dia e sempre a Arquidiocese de João Pessoa encha-se de alegria e seja iluminada pelo testemunho da Igreja sobre o Cristo Ressuscitado, que vive no coração daqueles que nele acreditam. Os Apóstolos cheios do Espírito Santo faziam maravilhas. Sinto que hoje a Arquidiocese da Paraíba também experimenta uma grande alegria pela chegada daquele que vem anunciar a Boa Nova da Salvação. Por isso, vieram aqui muitos bispos, apóstolos de hoje, compartilhar a alegria de toda Arquidiocese da Paraíba, muitos sacerdotes, meus familiares, amigos e vocês todos, discípulos do Senhor. A presença do Espírito Santo é garantia da continuidade da Igreja de Jesus Cristo. Assim, temos certeza de que, no meio das tribulações, o poder de Deus nos conduzirá pelos caminhos da justiça, da paz e da alegria.
Os apóstolos na Samaria e nós, aqui, recebemos o Espírito Santo que abre as nossas mentes, fortalece as nossas convicções para sermos todos (Arcebispos, bispos, presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, agentes de pastoral, membros dos movimentos, serviços, amigos de Cristo) testemunhas do Ressuscitado. Testemunhas do Ressuscitado é isso que o Espírito Santo nos faz. Testemunhas do Cristo vivo, o que só é possível se guardamos sua Palavra.
O Apóstolo Pedro (1Pd 3, 15-18) convida-nos a darmos “razão da nossa esperança a todo aquele que a pedir”. Se o fizermos “com mansidão e respeito e com boa consciência” (1Pd 3, 16), lograremos êxito, pois os inimigos ficarão envergonhados diante do bom procedimento em Cristo. Este é o grande ensinamento para nós: “é melhor sofrermos praticando o bem, se essa for a vontade de Deus, do que praticando o mal” (1Pd 3, 17). Não foi assim que Cristo assumiu a fraqueza da humanidade? O justo morreu pelos injustos, a fim de conduzir todos a Deus. O resultado do seu empenho foi a vida nova, a ressurreição, a vida plena no Espírito.
Bom procedimento sugere: agir bem, com responsabilidade, com espírito cristão, com amor, compaixão, sensibilidade, ternura, justiça, respeito ao outro, ao diferente, e construir relações fraternas, plenas de misericórdia. Procedendo bem damos testemunho do Cristo ressuscitado.
É verdade que o Cristo ressuscitou e está à direita do Pai; mas igualmente verdade que Ele continua presente e vivo naqueles que nele acreditam e agem como Ele agiu. Ele vive, sofre, morre e ressuscita em seus discípulos, em nós. É assim que Ele é santificado em nós! Ora, o discípulo vive a mesma vida do Mestre e passa pelas mesmas vicissitudes que Ele passou, mas com Ele ressuscitará. Esta é nossa esperança.
O Evangelista João (Jo 14, 15-21) fala-nos da tarefa do Espírito Santo.
Jesus está para subir ao Pai e confia o seu testamento aos discípulos: o legado de Jesus compreende-se só no Espírito de verdade (Jo 14, 17; 15, 26; 16,13), o Paráclito. É assim que o Evangelista João chama o Espírito Santo. Ele prosseguirá a obra de intercessão, de defesa, de ajuda realizada por Jesus durante sua vida terrena: o Espírito Santo é a força de Deus através da qual Jesus permanece com os discípulos para sempre. A insegurança dos discípulos com a partida do Mestre (cf Jo, 14, 1) é resolvida com o esclarecimento que Jesus não os deixará órfãos; mas voltará para eles com uma presença íntima que tornará Cristo visível para eles: “Vós me vereis, porque eu vivo e também vós vivereis” (Jo 14, 19). A indestrutibilidade da vida de Jesus será a razão da vida dos seus, para a comunicação dele que fará mediante o Espírito; é por obra do Paráclito que os discípulos gozarão da presença interior de Jesus.
A Igreja é constituída pelo outro Paráclito que forma a unidade dos discípulos e os conserva na viva presença de Jesus. A comunidade dos discípulos tem a certeza que, até os confins dos tempos, terá assistência do Espírito da verdade. “O Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de conhecer, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (Jo 14, 18).
Eu estou aqui porque sou sustentado por esta certeza: foi Deus quem me trouxe aqui e o seu Espírito, Espírito da Verdade, guia-me, ilumina-me e me conduz, para que eu seja o Pastor que a Arquidiocese da Paraíba precisa. O êxito desta minha missão depende da minha sintonia com o Espírito Santo, do meu acolhimento ao Paráclito; depende da oração de todos da Arquidiocese da Paraíba e de todos os meus irmãos e amigos. Rezem por mim! O êxito do meu ministério aqui depende também da colaboração de todos os irmãos da Arquidiocese, principalmente do clero, e do modo como todos acolhem as moções do Espírito Santo. Unidos fazemos a Igreja e damos testemunho do Ressuscitado! Unidos podemos iluminar a face da terra e continuar a obra que Jesus Cristo começou e ele mesmo colocou o fundamento, que é o Evangelho.
O início do meu ministério na Arquidiocese da Paraíba dá-se num tempo difícil: tempo de mudança de época, de muitas crises, ética e moral, política, hídrica e econômica, de violência crescente e suas consequências... O relativismo cultural parece levar a humanidade para um tempo de trevas. Faltam referências humanas que possam servir de orientação para as gerações presentes e para as futuras, as gerações mais jovens.
Neste quadro social, venho como Arcebispo, ministro de Cristo, para falar da esperança e animar o povo de Deus e as pessoas de boa vontade a confiar em Cristo, pois Ele é o Senhor que planta a esperança.
Não medirei esforços para orientar os padres, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, membros das comunidades novas, missionários leigos, membros das pastorais e movimentos e serviços, para sermos testemunhas críveis do Ressuscitado, no meio da sociedade com o espírito do bem, da verdade, do amor e da alegria.
O remédio para este mundo de crises é a alegria do Cristo ressuscitado, a sua misericórdia, a fraternidade, a caridade. Da nossa parte, o Cristo nos envia como suas testemunhas para anunciar, com coragem, sua presença no meio do mundo.
O meu lema episcopal: “ide aos meus irmãos” (Jo 20, 17) dá o tom dos meus propósitos. Venho, como irmão, para servir, venho para caminhar com os que Jesus Cristo me deu como irmãos. Olho em cada um e vejo o rosto do Cristo, que me convida a O amar. Sei que vocês são presentes de Cristo para mim. As circunstâncias, o momento e a oportunidade são para que a Igreja Arquidiocesana cresça. O que faz a Igreja crescer é o amor. O amor de Deus e o amor dos irmãos! Vou recordar sempre para mim mesmo e para todos a supremacia do amor eterno do Pai e vou recordar o imperativo de sermos, em tudo, amorosos uns com os outros. Amorosos nas alegrias e nas tristezas, nas conquistas e nos fracassos, nas vitórias e nas perdas. É fácil sermos solidários nos bons momentos, mas a verdadeira solidariedade se nos apresenta nos momentos duros e problemáticos. Problemas, dificuldades, fraquezas, limitações, crises de qualquer natureza são degraus para nosso crescimento, são caminhos que nos dão a oportunidade de testemunharmos a força da fé e do amor. Basta termos a visão de Deus. A visão do Senhor é a visão do bem e da verdade! E a verdade que nos liberta é exigente, pois exige humildade e reconhecimento de que tudo depende do Pai e que nEle a vida se plenifica. A verdade sobre nós mesmos: não somos melhores do que ninguém, somos irmãos, pequenos, frágeis, marcados pelo pecado. Toda esta realidade da nossa vida é alcançada pela graça divina e esta nos converte e nos transforma. Só em Deus nos superamos e nos tornamos seus filhos amados, obedientes discípulos do seu Filho Jesus Cristo.
Quero estar aqui com esta única pretensão: ser um irmão, caminhar com vocês, rezar com e por vocês, anunciar o Evangelho a todos, cuidar como me pede a minha missão de Arcebispo desta querida Igreja de Jesus Cristo que está na Paraíba.
Sinto-me privilegiado de ganhar tantos irmãos! Minha família arquidiocesana é grande! Que Deus me dê a humildade de estar aqui para facilitar a vida de cada um, com as bênçãos divinas, a força do Evangelho e a presença iluminadora do Espírito Santo. Que Deus me dê inspiração para juntos encontrarmos o Cristo! Ele é o nosso Salvador!
Como não estou sozinho, Deus me deu irmãos Arcebispos e Bispos da Província Eclesiástica da Paraíba e do Regional NE 2 e de toda a CNBB, aqui tão bem representados. Sempre senti e sinto de modo especial o apoio de todos eles, a comunhão, a oração, a reflexão partilhada e as diretrizes e documentos da Conferência. Obrigado, Senhor, pelos irmãos Bispos! Quero agradecer de modo especial a Dom Genival Saraiva de França que esteve à frente da Arquidiocese como Administrador Apostólico e que, com sabedoria e dedicação, fez a transição e preparou a Arquidiocese para este momento da minha posse.
Deus me deu auxiliares ordenados, presbíteros e diáconos, com os quais compartilharei a minha missão de Arcebispo e a nossa vocação de servidores do Evangelho. Conto com o apoio e a dedicação de todos. Obrigado, Senhor, pelos ministros ordenados da Arquidiocese, presbíteros e diáconos!
Deus me colocou ao lado das autoridades e servidores da Sociedade! Obrigado, Senhor, pelos poderes públicos que se empenham na construção do bem comum e colaboram com a construção de um Brasil mais justo e fraterno!
Deus me deu irmãos religiosos que testemunham a fé no Ressuscitado e são exemplos de doação na caridade, na pobreza, obediência e castidade.
Deus me deu cristãos comprometidos, testemunhas do Ressuscitado e missionários do Senhor. Obrigado, Senhor, pelos leigos tão generosos!
Deus me deu famílias, casa de amor, Igreja doméstica, para evangelizar e dizer que Cristo é o Senhor da nossa vida. Obrigado, Senhor, pelas crianças, jovens, adultos e idosos, pais e mães, que vivem iluminados pela presença do Cristo ressuscitado e buscam em tudo o bem e a paz, a compreensão e o perdão e tudo que Cristo ensinou.
Nossa Senhora, nossa Mãe, está sempre conosco como sempre esteve e está ao lado de Jesus. Que ela, Nossa Senhora da Neves, Mãe e Padroeira da Arquidiocese da Paraíba, acompanhe-nos e nos dê paz, alegria e esperança! Com ela saberemos fazer tudo o que Jesus nos diz! Amém!

Click PB
Tecnologia do Blogger.