INTERESSE: é o que nos move? Por Edglei Amorim


Antes de avançar na leitura, neutralize seus conceitos. Falo isso porque costumamos omitir qualidades moralmente falidas. Ora por vergonha, ora por orgulho, vaidade e até pela ausência de conhecimento.

Já experimentou alimentar um cão de rua? Há um ditado popular que sugere: “alimente um cachorro por três dias e ele se lembrará de você por 30 anos. Alimente um ser humano por trinta anos e ele te esquecerá em 3 dias.” É trágico que a hipérbole consubstancie uma verdade. Somos movidos pelo interesse. Oi?


Como isso acontece? Começa na infância. A gente cresce e aprende que existe recompensa pra tudo. Aprovado por média, celular. Passou de ano, bicicleta. Lavou a louça, brincar com os amigos. Varreu o pátio, jogar bola. Por outro lado: Desobedeceu aos pais, castigo e correção.

Pois bem, a vida é cíclica em recompensas. O que fazemos volta pra nós. Teologicamente isso se chama lei da semeadura. A vida que temos hoje é um reflexo do passado. As decisões do presente são holofotes para o futuro. O que muda entre os homens, são os tipos de interesses.

Algumas pessoas, por exemplo, dedicam as suas vidas ao crescimento espiritual e altruísmo humano. Fazem peregrinações, cuidam dos doentes, alimentam crianças, idosos e viúvas. Lideram grupos de pessoas e suportam humilhações por convicção do chamado. O fazem, porque alguém os instruiu acerca da promessa de recompensa espiritual imanente ou transcendente.

Por outro lado existem outros grupos de pessoas, como alguns políticos, por exemplo, que antes de conquistar o poder defendem largos benefícios em favor dos menos favorecidos, criticam a sobrecarga tributária, reclamam da precariedade dos serviços públicos, repudiam a perseguição politica, enojam-se da corrupção sistemática e fazem exatamente o mesmo quando chegam ao poder. Afinal de contas como se chama esse tipo de interesse? Deve ser por isso que a maioria dos eleitores anda tão decepcionada que alguns só votam pela recompensa imediata (materialidade) e outros sinalizam votar branco, nulo ou pagar multa já que no Brasil ainda falta nascer a Princesa Isabel que liberte os escravos do voto.

Aqui, apenas um ponto de vista. Não tenho a pretensão de frustrar teus conceitos. De modo particular, tenho convicção dos meus interesses e sei das minhas limitações. Com muita dificuldade, estudei e continuo nessa lide. Trabalhei e estou na ativa. Não sei você, mas sou movido pelo interesse, só não uso esse meu desejo para barganhar, mentir ou usurpar contra semelhantes.

Edglei Amorim

Nenhum comentário